A pediatria é uma área extremamente abrangente da medicina. Engloba todo o processo de crescimento e desenvolvimento de um ser humano desde o momento do nascimento até sua transformação em adulto.
Dentro dela, a puericultura é o eixo central de onde se ramificam todas as outras especialidades clínicas. Digo isso porque é do acompanhamento contínuo desse ser humano em desenvolvimento que surgem as necessidades específicas para correção de alguns detalhes que possam comprometer este processo em algum momento.
Cabe ao pediatra que faz o seguimento de puericultura antever possíveis desvios e combater os contratempos que possam atrapalhar o pleno desenvolvimento daquele ser humano. Em resumo, a puericultura é essencialmente a definição da medicina preventiva. Consiste basicamente em garantir que a criança tenha condições de desenvolver plenamente seu potencial, seja ele qual for.
É na infância que devemos construir bons hábitos de saúde, higiene, alimentação, atividade física, entre outros que nos serão úteis ao longo da vida para prevenir doenças e hábitos deletérios para a saúde. A função do pediatra é orientar e guiar os pais nessa difícil e importante empreitada que é ser responsável pela formação de um ser humano pleno, que consiga se inserir na sociedade e ser funcional.
E temos que lembrar que muitos pediatras também são pais/mães, o que nos coloca ao mesmo tempo dos dois lados da equação – e se por um lado pode ser confuso porque raramente os filhos fazem aquilo que os livros ensinaram, por outro lado nos dá a oportunidade de vivenciar as mesmas angústias e dúvidas de todos os pais.
Assim, a pediatria é mais que uma ciência. É uma arte em constante mudança, pois as crianças de hoje são diferentes daquelas de nossa geração. Necessita adaptação contínua pois as doenças que nos preocupavam há vinte anos atrás já não são as mesmas que nos afligem hoje (graças aos avanços na área de imunização e vacinação) e precisamos seguir (re)aprendendo a ser pediatra com cada criança que acompanhamos. E sei que sou suspeita para falar, mas não há nada mais lindo do que testemunhar essa transformação. Cada novo aprendizado, cada nova etapa vencida, cada contratempo superado faz valer a pena todo o esforço e dedicação. E tenho certeza de que falo em nome de todos os meus colegas de profissão. Afinal, eu sempre digo e repito: apesar de todos os percalços da profissão, ainda não conheci nenhum pediatra infeliz.