Nenhum filho merece o peso de sustentar um casamento infeliz. É exatamente nisto que acredito.
Acredito também que todos temos o direito de buscar uma relação que seja satisfatória para ambos. A vida é curta. E somos humanos. Muitas vezes nos enganamos, erramos, nos arrependemos e aprendemos. E tentamos de novo. Essa sempre foi a realidade para nossa espécie. E qualquer artista ou atleta de ponta sabe com quantos erros e quedas se faz um artista virtuoso ou um campeão. Sem falar em nossas carreiras, trabalho, relações interpessoais. O ciclo é sempre tentativa-erro-nova tentativa. Não que tentativa-acerto não seja possível ou não ocorra nunca; mas além de ser muito raro, não nos ensina nada sobre a vida ou sobre a necessidade de persistir tentando.
Por que então seria diferente no que diz respeito aos relacionamentos amorosos? Quem tem o privilégio de já ter certeza de tudo o que quer da vida enquanto ainda muito jovem? E se cavarmos um pouco mais, quem tem o nível de autoconhecimento necessário para fazer escolhas definitivas ainda nos seus vinte e poucos anos? Nada é definitivo. Uma profissão, uma carreira, muitas amizades…por que um casamento deveria ser?
Como em tudo, nos iludimos (às vezes conosco mesmos). Somos ingênuos, acreditamos, apostamos…e perdemos. Reconhecer o engano e tentar corrigi-lo não é fácil. Admitir uma mudança, mesmo que necessária, exige que deixemos nossa “zona de conforto” e tomemos uma atitude. Às vezes é preciso ter lançado mão de todos os recursos e atingido o fundo definitivo do poço para que se consiga admitir que não há mais para onde descer e, portanto, é necessário começar a subir.
Quantos relacionamentos serão necessários para que estejamos prontos para um relacionamento definitivo (ou não), depende de cada um. O que sei é que é refletindo sobre nossos erros passados que aprendemos a nos enxergar melhor e a entender se realmente queremos dividir a vida com alguém e quem seria esse alguém.
Acredito que uma pessoa infeliz e sentindo-se presa em uma relação falida não tem condições de ser um pai/mãe plenos. Sei disso por experiência própria. Por que mesmo triste, me sentindo frustrada e com medo de seguir sozinha com uma bebê pequena, eu sabia que só saindo daquele ambiente tóxico que o meu casamento tinha se tornado eu poderia dar o melhor de mim para minha filha. Mesmo que esse melhor fosse ainda pouco e insuficiente. Mas foi somente assim que eu consegui ir reconstruindo pouco a pouco primeiro a mim mesma e depois a minha vida. E assim eu e ela aprendemos a ser mãe e filha. Também nos erros e acertos. Também caindo e levantando. Também recomeçando sempre.
Sei que não sou a melhor mãe do mundo. Essa mãe não existe na prática. Mas sei que hoje minha filha tem de mim a melhor pessoa/mulher/mãe/profissional que já fui na vida. E me esforço para que amanhã ela sempre tenha uma mãe melhor que hoje, afinal essa relação eu sei que é definitiva.